quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Uso do Pré-sal em apoio a energia renovável


Antes da descoberta o pré-sal, dizíamos o seguinte: o governo está exportando petróleo, temos apenas dez anos de autossuficiência e não vai dar tempo para desenvolver energia alternativa. Então defendíamos que o governo investisse imediatamente em energia limpa, renovada, proteção ao meio ambiente. O pré-sal deu uma chance de a gente fazer isso. Não podemos, de maneira alguma, deixar de desenvolver uma energia alternativa, renovável, energia limpa. Só de energia eólica, energia dos ventos, nós temos um potencial de 140 gigawatts, mais ou menos 10 usinas de Itaipu. Nós temos energia solar direta que a pesquisa internacional já está levando os painéis de absorção que estão com rendimentos da ordem de 60%. Agora, existe 1 trilhão e 200 bilhões de barris de petróleo e a economia mundial está, irresponsavelmente, pendurada neste petróleo. A indústria dos Estados Unidos, da Europa, da Ásia, todos estão voltados para esse energético, poluidor e finito. São necessários pelo menos 25 anos de investimento em pesquisa pesada para desenvolver energia alternativa, limpa. Enquanto isso, o présal está aí e pode ser aproveitado para tirar o país do subdesenvolvimento. Claro, que tirá-lo de uma forma sustentável. Os Estados Unidos estão tentando substituir o petróleo por biomassa. Começou com álcool de milho, mas teve um problema sério porque subiu o preço do milho e faltou alimento no mercado. O México também teve a tortilha afetada. Não é muito fácil esta substituição. É preciso não deslocar terras de alimentos e o Brasil tem condições para não deslocar. É fundamental conseguirmos defender o meio ambiente, a energia renovável. E o pré-sal pode ser uma forma de viabilizar isso.

Com recursos elevados, não pode haver a exploração do pré-sal e esquecer-se de desenvolver energias alternativas. O Brasil é o mais viável em substituir o petróleo por outra energia renovável. E agora o pré-sal nos deu o tempo, que antes não tínhamos.

FONTES ALTERNATIVAS (RENOVÁVEIS) – POTENCIAL BRASILEIRO

Energia eólica (ventos) – 140 GW explorável economicamente (10 usinas Itaipu);

Biomassa – 80 milhões de Ha disponíveis; maior índice de insolação do planeta;

12% das reservas mundiais de água doce; 68% se encontra na Amazônia;

Hidroeletricidade – a explorar: 150% do atual potencial instalado;

Energia Nuclear – reservas razoáveis de urânio – 10 Mw de potencial

Petróleo e Reforma Agrária

Sobre a questão do petróleo e a reforma agrária. Sobre a questão da biomassa, há o cartel internacional da soja: ADM, Bunge, Cargill, Monsanto. Além de ter acesso exclusivo aos fertilizantes, que só podem ser comprados por grandes grupos, elas fazem parte do cartel internacional da soja, que tem como principal produto o farelo de soja, usado para fazer ração. O óleo de soja, para fazer biodiesel, sai para elas de graça. Como é que a agricultura familiar brasileira vai conseguir concorrer com esse pessoal? Não tem chance nenhuma. Não só porque não tem acesso aos fertilizantes baratos, como também não consegue fazer o óleo de soja por causa da economia de escala. Elas têm óleo de soja de graça e isso significa um massacre ao agricultor familiar brasileiro, que não pode concorrer na geração de biomassa para substituir o petróleo. Temos que defender que o pré-sal facilite ao governo usar esses recursos para comprar terras e repassá-las para o agricultor brasileiro. Temos o exemplo da medida provisória 458 que está abrindo a compra de terras na Amazônia para empresas e aí seria para empresas estrangeiras. Já estão lá. Tem lugar que só se entra com autorização das empresas estrangeiras, é um negócio muito sério. A Amazônia, por exemplo, tem 95% do nióbio, que é um material raríssimo para utilização da indústria espacial. A Amazônia sofre uma cobiça internacional brutal. Ou o governo faz um esquema de distribuição dessas terras para os brasileiros ou nós iremos perdê-las. Eu acho fundamental vincular a luta pelo pré-sal à reforma agrária.

PROBLEMAS DAS FONTES ALTERNATIVAS

(SUBSTITUIÇÃO DO PETRÓLEO)

• O Tempo de desenvolvimento e exploração econômica > 20 anos, muito superior à duração do nosso petróleo;

• O Governo não está investindo nem favorecendo o investimento nacional (Ministério da Agricultura só tem 4 pessoas para cuidar de toda a biomassa);

Embrapa Energia, criada há mais de um ano, só tem o diretor nomeado, o qual não é da área;

• O Governo está entregando o biodiesel para o cartel internacional da Soja: ADM, Monsanto, Cargil e Bunge Y Born. Eles têm mercado cativo para o farelo, sendo o óleo um subproduto, de graça. Nenhuma chance para o pequeno produtor nacional concorrer;

• O governo está entregando 40 milhões de hectares da Amazônia, por 40 anos, para empresas estrangeiras. Justamente onde estão 68% das reservas de água doce.

A mídia comprometida

Infelizmente, nós temos uma mídia que é contra nós. Cerca de 90% dos anunciantes da grande mídia são empresas estrangeiras. Ela defende muito mais os interesses estrangeiros do que os brasileiros. Durante a quebra do monopólio saíram várias reportagens batendo nas empresas estatais, falando de marajás etc. A revista Veja escreveu dez páginas falando contra a Petrobrás e não aceitou o direito de resposta.

Isso foi em 1995, já tem mais de dez anos e está na justiça esse direito de resposta e não foi dado. Se a Petrobrás pega um empréstimo na Caixa Econômica Federal vira um escândalo, mesmo que ela pague. A empresa americana AES fez um empréstimo junto ao BNDES para comprar a CPFL por preço de banana, não pagou e não virou escândalo. A Petrobrás usou um artifício, legal, para se defender da insegurança cambial e foi taxada de sonegadora, malversadora de impostos e agora ficou demonstrado que não era verdade. Todas as empresas nacionais fazem isso e as que não fizeram quebraram, como a Sadia. O que eu quero dizer é que a mídia está com uma campanha de desmonte da reputação da Petrobrás para que o pré-sal não seja entregue a ela e aí tem CPI, uma série de coisas que a gente não concorda. Nós temos a internet, nós temos uma página que tem 1 milhão de acessos por mês e a gente usa profundamente.

Temos buscado apoio junto à sociedade civil organizada, estamos buscando parcerias e nós, os petroleiros, temos clareza de que não vamos conseguir defender sozinhos esta riqueza. Nós precisamos da ajuda dos estudantes, da UNE, dos militares, dos trabalhadores, de todos os brasileiros para defender essa riqueza porque sozinhos não conseguiremos. Então, nós estamos buscando parcerias com a sociedade organizada e temos tido uma excelente receptividade. Mas ainda falta acesso à informação.

Eu escrevo cartas para O Globo e para a Folha de São Paulo e eles não publicam, mesmo que seja reposta a um ataque à Associação dos Engenheiros da Petrobrás.

Tem ordem para não publicar nada que tenha partido da Aepet. O blog da Petrobrás eu acho uma boa idéia. Nós temos a internet, temos uma rádio no Rio de Janeiro com

outros parceiros e entidades, que é um programa diário de duas horas. Temos um programa na televisão, mas os nossos recursos são pequenos. Nós estamos falando de uma riqueza de US$ 10 trilhões e as multinacionais tem bala na agulha para comprar, infelizmente, a mídia nacional. O trabalho de informação que a gente está passando e gravado em DVD, claro que tecnicamente tem falhas, mas passamos informações.

Estamos distribuindo pelo Brasil para atingir o maior número possível de pessoas. Já temos obtido várias adesões ao movimento, todas as centrais sindicais que estão abraçando esta luta. O movimento está crescendo e eu acho que agente pode contrapor esta campanha que a mídia faz contra o patrimônio nacional. A gente já viu esse filme na quebra dos monopólios, na venda da Vale do Rio Doce, por um valor absurdamente inferior ao seu valor real. Valia US$ 1,5 trilhão e foi vendida por US$ 3 bilhões. O proprietário está ganhando isso agora por semestre, só de lucro, então, foi uma doação da Vale. Nós temos um patrimônio enorme para defender. Além do pré-sal, temos a Amazônia, a Amazônia azul, que é um mar territorial cheio de minério, riquezas e nutrientes. Tudo isso são riquezas que precisam ser preservadas, que precisam ser usadas no sentido de beneficiar o povo brasileiro. Não deixando de beneficiar outros países, mas com soberania, o povo brasileiro não pode ficar na miséria diante dessas riquezas colossais do país.

*Fernando Siqueira - Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás

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