quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O petróleo e sua utilização!

O petróleo constitui para a Humanidade uma fonte muito eficiente de se extrair energia, facilmente manuseável, transportável, criando, com isso, uma dependência irresponsável dos países desenvolvidos, porque não levaram em conta que ele é um bem finito e que ele está caminhando para uma situação gravíssima, que é a chegada

do pico de produção mundial, gerando o terceiro choque mundial, desta vez irreversível.

Por isso, as guerras que aconteceram após a segunda guerra mundial, praticamente

todas, tiveram origem no petróleo.

A energia obtida através do petróleo deu ao Homem a perspectiva de explorar diversas outras atividades, como pesca, navegação em geral, transporte e também economizou energia humana de tal forma que, no século passado, com essa energia economizada, a Humanidade gastou-a em uma forma mais nobre aumentando a população mundial em seis vezes, passando de 1 bilhão para 6 bilhões de habitantes.

Quando a explosão populacional assustou todo mundo, recorreu-se ao petróleo como fonte de matéria-prima para o preservativo, isto é, uma das fontes para o controle da natalidade também foi o petróleo.

Quando se fala que o petróleo pode ser substituído pelo etanol, na verdade a história não está bem contada, porque o etanol substitui uma das funções do petróleo menos nobre, que é a queima em motores à explosão. Na realidade, o petróleo é matéria-prima para cerca de 3 mil produtos petroquímicos, materiais de construção, componentes eletrônicos, lentes, couro sintético, detergente, remédios, cosméticos, fertilizantes agrícolas, baterias, xampu, telefones celulares, DVDs, enfim, uma gama fantástica de produtos vem da petroquímica alimentada pelo petróleo. É possível substituir o petróleo integralmente? É. Mas são necessários, pelo menos, 25 anos de pesquisas intensas e investimentos maciços para substituir todas essas funções. O principal produto capaz de substituir esse petróleo seria a biomassa. Por exemplo, para ser obtido o biodiesel se tem uma reação com o etanol e o metanol e então se obtém um subproduto que é a glicerina. Uma indústria glicero-química poderia substituir uma série desses componentes que o petróleo fornece. O local mais viável do mundo para gerar essa biomassa é a Amazônia, porque tem o trinômio:

terra, água e energia solar. Através das plantas, o sol acumula, com a fotossíntese, o hidrato de carbono, um concentrador de energia. Então, seria possível substituir o petróleo com esses produtos. E a Amazônia tem 68% da água doce brasileira, que por sua vez representa 12% da água doce do mundo, que está caminhando para uma escassez. Não é coincidência que tenha uma gama de estrangeiros na Amazônia, pressionando o governo por medidas provisórias que permitam venda de terras e outras coisas mais. Ou seja, há uma cobiça enorme dos Estados Unidos, da Europa, particularmente da Inglaterra, que não tem energia. Todos com a perspectiva de uma energia eterna, porque o sol é permanente e terras podem permanecer viáveis se cuidadas como bem sustentável. Além desse fortíssimo futuro, a Amazônia tem ainda a biodiversidade, que é matéria-prima para a indústria farmacêutica do futuro e tem os minerais estratégicos como o titânio, urânio, nióbio e outros. Por isso, essa região é também objeto de cobiça igual.

A partir dos anos 80, nós tivemos o primeiro baque. O consumo de petróleo passou a superar as descobertas. Assim, hoje, para cada barril descoberto, quatro são consumidos. Aí, “caiu a ficha” dos países, que perceberam que o petróleo iria acabar e

iria gerar crises internacionais fortíssimas e por isso está mais disputado ainda.

Da utilização do Petróleo:

• O petróleo é matéria prima para mais de 3.000 produtos petroquímicos,

materiais de construção e vários outros, estando presente em quase

todos os bens de uso comum do nosso dia-a-dia.

• A lista engloba: componentes eletrônicos, lentes, couros sintéticos,

detergentes, cosméticos, tintas, lubrificantes, fertilizantes agrícolas,

asfalto, medicamentos, fibras sintéticas, móveis, máquinas fotográficas,

baterias, PVC, xampus, telefones celulares, DVDs, pasta de dentes,

canetas, pneus, interior dos automóveis e muitos outros.

• A partir dos anos 1980, o consumo de petróleo passou a superar o seu

descobrimento. Assim, na atualidade alcançamos a alarmante proporção:

para cada barril que se descobre, quatro são consumidos.

Fernando Siqueira*

* É Presidente da AEPET - Associação dos Engenheiros da Petrobrás

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