sábado, 9 de janeiro de 2010

As amarras impostas ao Brasil e a situação internacional.

Algumas dessas estratégias dos EUA em frear o Brasil. Vejam o caso do CPqD, o centro de pesquisa de Campinas, de altíssima competência. Foi ele que fez o cartãozinho usado em telefone, com alta tecnologia embutida, uma tecnologia inédita naquele cartão telefônico, que nós tínhamos 25 ligações, 90 ligações. Aquilo foi fruto do CPqD. Ele estava desenvolvendo o capacitor óptico e a fibra óptica, que fazem a transmissão de energia através da fibra óptica. Esta é uma tecnologia extremamente importante, porque é informação. Estava também com uma equipe de 25 engenheiros desenvolvendo a TV digital brasileira. Estavam num grau de avanço considerável e aí veio a privatização e o centro de pesquisa foi esvaziado. Citamos o caso da equipe da TV digital; 24 saíram para outras empresas, porque o salário do pessoal não compensava.

Verbas começaram a escassear e o remanescente da equipe, desgostoso, se suicidou devido ao trabalho de tanto tempo ter sido perdido. Tivemos a explosão suspeita do centro espacial de Alcântara, tinha lá os 26 principais cientistas e de repente o centro explodiu. Um ou dois anos antes, o Centro tinha tido um contrato com os Estados Unidos, extremamente ruim para o Brasil. Um dos itens era que o Brasil não poderia usar o dinheiro do aluguel para aplicar no centro de desenvolvimento de Alcântara.

Outro era que os Estados Unidos teriam um território enorme e os brasileiros só podiam entrar com crachá fornecido por eles. Outro, gravíssimo, era que o Brasil não tinha direito de inspecionar os containeres trazidos pelos Estados Unidos para a base de Alcântara, que é disparada a melhor do mundo, porque ela está próxima ao Equador, onde a velocidade tangencial da Terra é máxima, portanto, há uma economia em relação ao segundo colocado, 30% na parte mais cara que é o combustível de lançamento. O Brasil com esta base fantástica e mais a sua tecnologia não teria rivais em lançamento de satélites. Era preciso frear o desenvolvimento. Coincidentemente, a base explodiu com os seus 26 principais cientistas dentro dela.

Temos o centro de pesquisa da Petrobrás e outros centros geradores de tecnologia, que não interessam aos estrangeiros que o Brasil desenvolva. Esse foi, para mim, o motivo primeiro da privatização: frear o desenvolvimento tecnológico brasileiro.

Tem o centro de motores de São José dos Campos, que foi o embrião da Embraer. Foi

lá que a Embraer nasceu e eu visitei há uns 7 anos e fiquei desolado com o abandono e com a falta de dinheiro. Na época, Carlos Lessa foi nomeado presidente do BNDES e ele mandou um diretor conosco, porque o centro de motores de São José dos Campos tinha desenvolvido um motor a álcool para aviões e o motor a álcool, ao contrário da gasolina, não sofre com o problema do aquecimento do sol. Os motores dos aviões normais, transportadores de produtos, têm uma limitação de que quando o sol aquece o motor a gasolina perde um pouco de potência e o motor a álcool não. O motor a álcool, além de ser uma energia renovável, ainda tinha esta vantagem tecnológica. O motor estava pronto, faltavam R$ 300 mil para testá-lo e não tinha. O engenheiro que nos levou falou que o mais novo lá tinha 25 anos de casa e todo mundo estava prestes a se aposentar e o centro vai acabar. Isso é uma tristeza de se ver. Nós vimos nascer 5 mil empregos de fornecedores de equipamentos para petróleo e depois serem dizimados com a abertura criminosa do Fernando Collor e o decreto Repetro de FHC. Isto fez parte do Consenso de Washington. Um artigo do Paulo Nogueira Batista pai mostra que o Consenso de Washington foi uma estratégia para manter a América Latina como um celeiro dos produtos dos Estados Unidos.

A situação Internacional

No final da década 80, o Kwait deu uma de “esperto” e inflou as suas reservas em cerca de 25%. Qual o objetivo? Conseguir uma cota maior de exportação entre os países integrantes da OPEP. Só que ele gerou uma reação em cadeia. O Kwait aumentou a cota e os demais integrantes, Arábia Saudita, Venezuela e outros, também inflaram as suas reservas, sem nenhuma justificativa técnica, apenas esperando aumentar sua cota e o crédito nos bancos, pois quem tem petróleo tem crédito. Assim, a gente supõe que a reserva mundial de 1 trilhão e 200 bilhões de barris pode não ser verdadeira, pode ser 25% menor, o que agravará mais a situação e o preço do petróleo.

Há estudos sérios que mostram que estamos caminhando para um terceiro e irreversível choque mundial do petróleo, que é o atingimento do pico de produção, o topo da oferta. Como a demanda segue crescendo, a defasagem gera subida do preço

do petróleo.

Os países do golfo pérsico, Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kwait, têm 70% das reservas mundiais. Se juntarmos o norte da África com a África ocidental, nós chegamos a 80% das reservas de petróleo pertencentes a países de religião islâmica. Será que é coincidência esses países serem rotulados como terroristas? Será que é mera coincidência?

Como “terroristas”, isso justifica uma invasão como a feita pelo Bush, que invadiu o Iraque, com uma desculpa esfarrapada de armas de destruição em massa, derrubou o governo e matou milhares de pessoas, porque estava “combatendo” o terrorismo que estava sendo “espalhado” pelo mundo. É o terrorismo de Estado.

PRINCIPAIS REGIÕES PRODUTORAS

RESERVAS PROVADAS (Bilhões de barris - 2004)

Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Iraque, Irã, Kuwait, EAU, Qatar, Omã)720,21(69,3%)

América do Sul (Venezuela, Brasil Colômbia, Argentina,Equador)100, 94(9,7%)

Rússia 65,39 (6,3%)

América do Norte (EUA, México, Canadá) 54,44 (5,2%)

Norte da África (Líbia, Argélia, Egito) 51,01 (5,0%)

África Ocidental (Nigéria, Angolam Gabão) 32,91 (3,1%)

Mar do Norte (Grã-Bretanha, Noruega) 15,11 (1,4%)

A IMPORTÂNCIA DO PETRÓLEO IRAQUIANO

• Segunda maior reserva de petróleo do mundo: 112 Bbbl;

• Atividade de exploração praticamente parada desde 1990: grande potencial de novas descobertas;

• Produção do Iraque estava prejudicada pela falta de peças de reposição;

• Companhias de petróleo da França, Rússia e China, entre outros países, já tinham contratos assinados com o Iraque para manutenção de campos de produção e para exploração, mas só poderiam ser iniciados após o término das sanções da ONU;

• Com a derrubada de Saddam Hussein, tais contratos poderão ser contestados, o que explica a ambigüidade de alguns membros do Conselho em relação à guerra;

• As companhias americanas e inglesas não tinham nenhum contrato, embora o Iraque tenha acenado com essa possibilidade (Shell chegou iniciar conversações).

Fernando Siqueira - Presidente da AEPET - Associação dos Engenheiros da Petrobrás

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