quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

“O petróleo é nosso!”

A partir de hoje, passamos a publicar em nosso Blog uma série de textos de Fernando Siqueira, que é presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras - AEPET. Os textos abordam a discussão sobre o Pré-sal e sua importância para o desenvolvimento nacional. Todos os dias serão publicados partes do texto. A publicação tem o objetivo de dar argumentos para a juventude de Araraquara na discussão sobre o tema e onde serão investidos seus recursos.

Na década de 50, nós tivemos o maior dos movimentos cívicos da história desse país pelo monopólio estatal do petróleo quando ele era apenas um sonho. E agora que esse petróleo virou uma realidade, acima de todas as expectativas, a gente tem muito mais razão para lutar por ele, para defendê-lo como propriedade do povo brasileiro, como está gravado na Constituição Federal de 1988, no seu artigo 177.

O pré-sal é mais ou menos sete vezes a reserva que nós tínhamos antes, de 14 bilhões de barris. Numa estimativa conservadora, o pré-sal tem uma perspectiva de 90 bilhões de barris. Então, com 104 bilhões nós passamos a ser quarta reserva mundial de petróleo, atrás da Arábia Saudita, do Irã e do Iraque, mas bastante próximo deste último. O principal cobiçador dessa riqueza, já adiantando, são os Estados Unidos, que têm uma reserva de 29 bilhões de barris e consomem 10 bilhões de barris por ano.

É por isso que invadiram o Iraque e já gastaram lá quase US$ 4 trilhões, atuando para trazer para si o controle dessas reservas iraquianas. E invadiram, também, o Afeganistão, que tem a possibilidade de passagem de dutos de petróleo e gás produzidos no mar Cáspio. Com o surgimento de um milagre na América Latina, no quintal dos Estados Unidos, assim nos consideram, pelo menos o Bush considerava, a primeira coisa que fizeram foi reativar a quarta frota naval que estava parada desde a década de 50, com a justificativa de “proteger” o Atlântico sul, onde estão localizados Brasil e Argentina. Como a Argentina já desnacionalizou seu petróleo, parece-nos claro que a 4ª frota tem como principal alvo “proteger” o Brasil, de olho no pré-sal.

O governo Lula tem feito um grande esforço, mas ele também sofre as limitações impostas pela imprensa. A mídia inventou a CPI não só para desmoralizar a Petrobrás, mas também para tentar desmoralizar o governo, tentar apontar desvios para poder enfraquecer o governo. Tem o sistema financeiro internacional, Estados Unidos, Inglaterra, que estão pressionando. A mídia tentando colocar o governo em xeque. Ele não tem espaço na mídia para fazer essa defesa. Então, nós temos que assumir essa campanha. Os estudantes foram um dos principais baluartes da campanha “O petróleo é nosso!”. Inclusive esse slogan foi criado pela UNE, a partir da frase do Mario Lago: “O nosso petróleo é nosso”. A UNE, junto com o general Horta Barbosa, encabeçou esse movimento e durante cinco anos - várias entidades, trabalhadores, toda a sociedade - foi para as ruas e fez uma campanha, a maior que existiu neste país.

Estudantes, trabalhadores, militares, enfim, todas as forças vivas brasileiras, precisam esquecer as pequenas diferenças e lutar para que o povo seja beneficiado com a riqueza que lhe pertence. É essa a nossa esperança, é essa nossa batalha. As centrais sindicais, a OAB, a CNBB e muitas outras entidades estão conosco. O governo Roberto Requião abraçou a nossa causa. Falamos para 500 pessoas na Escola do Governo, com transmissão da TV educativa do Paraná, que tem audiência pelo Brasil inteiro.

Temos muita esperança de que essa batalha pode ser ganha por nós, mas tem que ter a participação de cada um. DEFENDA O QUE É SEU!

Fernando Siqueira

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